Ciclo biogeoquímico no qual o elemento que se recicla é o enxofre.
É um dos ciclos químicos mais complexos da natureza, pois envolve a transformação de diferentes espécies de enxofre através de diferentes estados de oxidação em múltiplos tipos de compartimentos e em várias escalas. Desempenha um papel importante nos ciclos e processos geológicos, edáficos e biológicos nos ecossistemas e em escala global.
O enxofre pode ser encontrado em estados de oxidação que vão desde S6+ em sulfatos, até S2- em sulfetos. Portanto, ele pode ceder ou receber elétrons dependendo das condições do meio em que está localizado e do processo em que está envolvido.
Em escala global, a biosfera não age como um importante sumidouro de enxofre. Os principais reservatórios de enxofre são oceanos e rochas sedimentares (principalmente em forma de gesso, CaSO4·2H2O; e rochas e sedimentos ígneos, metamórficos, onde é encontrado na forma de sulfetos metálicos, principalmente como pirita, FeS2.
Os solos podem conter enxofre se foram formados à partir de um material originário que o contenha (por exemplo, solos com horizonte gípsico) ou que podem ter sido incorporados por diferentes meios: 1) fornecidos por água subterrânea ou água de irrigação que esteve em contato e dissolveu materiais de gesso; 2) aplicado na forma de fertilizante sintético (sulfato de amônio, sulfato de potássio, ou outros); 3) depositado por chuvas ácidas ou como partículas sólidas (precipitação sólida) na forma de SO2, à partir da combustão de carvão e combustíveis fósseis nas proximidades de áreas industriais, ou de outras fontes.
As plantas e numerosos fungos aeróbicos e procariotos obtêm enxofre na forma de ânion de sulfato e, por um processo de redução assimilatória do sulfato, reduzem-no a sulfeto e, em seguida, o incorporam em seus constituintes orgânicos celulares como enxofre orgânico (componente essencial das proteínas).
Na cadeia alimentar passará de plantas para herbívoros e destes para carnívoros que incorporam enxofre em seus tecidos. Quando plantas e animais morrem e seus restos mortais são incorporados ao solo e a mineralização da matéria orgânica ocorre por bactérias que metabolizam proteínas e produzem sulfato que, quando incorporado ao solo, fecha esse modelo ciclo.
No caso dos solos inundados por períodos prolongados (com condições de redução), por exemplo, solos de arrozais, o SO42- atua como um receptor de elétrons e é reduzido ao sulfeto com a intervenção de bactérias redutoras de sulfato, que realizam o processo chamado redução desassimilatória do sulfato, com o que este pode precipitar na forma de pirita, de modo que o enxofre deixa de estar disponível para as plantas.